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terça-feira, 23 de junho de 2015

Terça Literária: Encerrando Ciclos

Às vezes queremos a mudança em nossa vida, recomeços, novas pessoas e novas perspectivas, mas nos esquecemos que é necessário encerrar ciclos para dar vida à novos sonhos. Deixo para reflexão este texto de Paulo Coelho, para lembrar que a nossa realização pode estar apenas esperando que a gente desapegue da velha historia, gasta e marcada para nos encantarmos com as páginas de novo livro.


Encerrando Ciclos – Paulo Coelho

Sempre é preciso saber:
quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela
mais do que o tempo necessário,
perdemos a alegria
e o sentido
das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos,
fechando portas,
terminando capítulos,
não importa o nome que damos.
O que importa é deixar no passado
os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho?
Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada
desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo
se perguntando por que isso aconteceu.
Pode dizer para si mesmo
que não dará mais um passo
enquanto não entender as razões
que levaram certas coisas,
que eram tão importantes e sólidas em sua vida,
serem subitamente transformadas em pó.
Mas atitude
será um desgaste imenso para todos:
seus pais, seu marido ou sua esposa,
seus amigos, seus filhos, sua irmã…
Todos estarão encerrando capítulos,
virando a folha,
seguindo adiante,
e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo…
no presente e no passado,
nem mesmo quando tentamos
entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará:
não podemos ser eternamente meninos,
adolescentes tardios,
filhos que se sentem culpados
ou rancorosos com os pais,
amantes que revivem
noite e dia
uma ligação com quem já foi embora
e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam
e o melhor que fazemos
é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante
(por mais doloroso que seja!)
destruir recordações,
mudar de casa,
dar muitas coisas para orfanatos,
vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível.
é uma manifestação do mundo invisível,
do que está acontecendo em nosso coração
e o desfazer-se de certas lembranças
significa também abrir espaço
para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora.
Soltar.
Desprender-se.
Ninguém está jogando
nesta vida com cartas marcadas.
Portanto, às vezes ganhamos e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo,
não espere que reconheçam seu esforço,
que descubram seu gênio,
que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional
e assistir sempre ao mesmo programa,
que mostra como você sofreu com determinada perda:
isso o estará apenas envenenando
e nada mais.
Não há nada mais perigoso.
que rompimentos amorosos que não são aceitos,
promessas de emprego
que não têm data marcada para começar,
decisões que sempre são adiadas
em nome do “momento ideal”.
Antes de começar um capítulo novo.
é preciso terminar o antigo:
diga a si mesmo que o que passou,
jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época…
em que podia viver sem aquilo,
sem aquela pessoa…
Nada é insubstituível,
um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio,
pode mesmo ser difícil,
mas é muito importante.
Encerrando ciclos.
Não por causa do orgulho,
por incapacidade, ou por soberba.
Mas porque simplesmente
aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta,
mude o disco,
limpe a casa,
sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é…

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Beijinhos

terça-feira, 9 de junho de 2015

Terça Literária: Soneto do Amor Total

Em homenagem ao dia dos namorados que se aproxima, mais um soneto de Vinicius.

Soneto do Amor Total - Vinicius de Moraes

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.


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Beijinhos

terça-feira, 2 de junho de 2015

Terça Literária: Soneto de Fidelidade


Celebrando a proximidade do Dia dos Namorados, nessa terça e na próxima postarei Sonetos de Vinícius de Moraes. Apreciem sem moderação. ;)

Soneto de Fidelidade - Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


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Beijinhos

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Livros de Colorir para todas as idades.


Livros para colorir estão super populares entre adultos. Como uma forma de relaxar e fugir do stress do dia a dia por alguns minutos, eles também nos trazem um pouco de volta à infância.

As editoras não perderam tempo, e aproveitando essa onda de colorir lançaram diversos livros com os mais diferentes temas.


Por dentro eles são bem semelhantes, o que muda realmente são as cores e a criatividade que colocamos neles.

Eu já me tornei adepta dos momentos antiestresse com livros de colorir e estou amando esse tempinho comigo mesma, os desenhos e as cores.

Em algumas cidades está difícil encontrar pra comprar os livros de colorir, aqui em Cuiabá eu fiquei semanas procurando e estava sempre em falta, mas na internet está fácil de encontrar e chega bem rapidinho.
Segue abaixo algumas sugestões de sites para comprar livros de colorir:
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Quem aí também já entrou na brincadeira?? Eu recomendo! ;)

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Beijinhos

terça-feira, 14 de abril de 2015

Terça Literária: A GENTE SE PERDEU

"Eu juro que pensei que se despedir devagar podia doer um pouco menos. Pelo menos à primeira vista era o que me parecia... "Vamos ser amigos", repetimos em consenso. Talvez por inexperiência ou por ingenuidade – o que eu creio que seja mais provável –, nos enchemos de esperança, achando que o amor poderia se eternizar: e que, mesmo sem romantismo, pudesse quem sabe se tornar uma convivência quase amigável.

 Só que um dia desses, a gente se perdeu.

Eu lembro bem: ninguém estabeleceu uma data certa ou marcou no relógio hora exata pra ir embora de vez. Só fomos rareando aos poucos a conversa, e o "oi tudo bem" cada semana mais mecânico. As novidades que apareciam já não tinham razão de serem divididas: porque, sem convivência, que graça tem ficar compartilhando a vida?

Na verdade, acho que a gente foi é se acostumando à ausência. E quando viu, já não se precisava mais.

Eu sei; é duro, é esquisito. Há bem pouco tempo isso nunca seria possível, nem naqueles pesadelos que levam embora o sono às 3h25 da madrugada. Mas quando não há afinidade que una nem amizade verdadeira que prenda, a paixão vai dando as costas e carregando com ela qualquer motivo pra ainda estar perto.

 Você e eu bem que tentamos.

 Mas, uma hora dessas, a gente se perdeu."

 Isabela Linhares - Via Linhas de Linhares


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Beijinhos

terça-feira, 10 de março de 2015

Terça Literária: Versos Soltos no Mar

O ritmo, mar, o ritmo, o verso, o verso!

Dá ao meu verso, mar, a ligeireza,
a graça de teu ritmo renovado.

Eu sou, mar, tu bem sabes, teu discípulo.
Que nunca digas, mar, que não foste meu mestre

Cantam em mim, ó mestre mar, metendo-se
pelos largos canais que há nos meus ossos,
das tuas que são como ondas mestras,
que a ti voltam de novo num unido,
só e mesclado mar de minha boca
Gil Vicente, Machado, [ ... ]
Baudelaire, Juan Ramon, Rubén Darío,
Pedro Espinosa, Góngora... e as fontes
que em minha aldeia cantam pelas praças.

Sento-me, mar, a ouvir-te
Te sentarias tu, mar, para escutar-me?

Tens a vaidade, o desmedido orgulho
de saber que meus versos são sempre em teu louvor. 

Vais largando, praia, terra que te susteve.

Nada em teu coração, nada em teu ventre.

Equivocado, o mar solta uma andorinha.

Rompe o mar tamarindos pela espuma.
  
Guano marinheiro: "venta" de humilde mar "varado".
"Venta" de pobres ventos,
de modestos crepúsculos,
de albas arruinadas.

Preamar silencioso de meus mortos.
Ellos, quizás, los que os están limando,
Eles, talvez, os que vos vão limando
ruivas rochas distantes.
  
Se te escutasses, mar, se tua linguagem
pudesse, mar, ser outra,
que palavras dirias? 

De qualquer modo, mar, soas o mesmo
e continuas parecendo com teu velho retrato.

Mar; às vezes, sentado não se sabe em que assento.

Vê-se que, mesmo querendo,
mar forçudo, não podes.

Aqui jaz o mar. Nem ele mesmo
soube jamais o número de ondas
que desfez o seu sonho.
  
Aqui jaz o mar. Gostaria
de ter sido marinheiro, desde menino.

Aqui jaz o mar. Ninguém teve,
como ele, um caixão
pregado com estrelas. 

Aqui jaz o mar. A morte
sentada ereta, na praia, a contemplá-lo.

Aqui jaz o mar. Devesse
jazer também o céu sobre seu túmulo.

O mar morreu. Não tinha
para o amor mais força que a de um menino.

Quem seria, mar, capaz de escrever-te o epitáfio?

Quero, mar, que em meu dia,
que resta, hoje mesmo
morras tu também.

Cada manhã e o mar fecha os dentes.

Hoje, mar, amanheceste com mais meninos que ondas.

Sim, mar, eu sei, tu és para mim a outra margem.

Mas me disseste, mar, mar
mar do colégio, mar dos telhados
que outras praias tuas, tão distantes,
ia eu chorar, sedado, mar, por ti,
mar do colégio, mar dos telhados.

Decerto te botei, mar guri, em minha frente
e ali foste crescendo em ondulagem
até que te fizeste mulher
e homem ao mesmo tempo.

Menino, eu queria patinar em tuas ondas,
mar do Sul, impossível ao coração de gelo.

Menino mar, não sabes?
ele te pintava sempre a aquarela.

Sábado o mar solta um cavalo branco...
e deixaste dormindo.

És de súbito, igual a uma criada
velha, gruñona e doce, que tinha minha mãe

A areia, quente
Geladas as ondas.
Os que morreram
Maruja, vão te chamar.

Ferozes leões.
Furiosos cavalos.
Mas se são de espuma
Quem pode domá-los?

Inclinei-me para ver o mar. E vi apenas
uma mulher chorando
contra o quarto minguante de uma lua crescente.

Mar, andei à tua procura
esse imortal sorriso...
porém não o encontrei.

Rico, até mesmo sem ver, de suspiros mortos.

Saíste de ti mesmo, levando contigo a praia...
mas te horrorizaste de ti mesmo, e voltaste.

Que estás pensando, mar dos veranistas?

Tu gostarias, mar, de andar de bicicleta,
dar um grande passeio pelas namblas
alugar uma barraca verde
e "cumbar-te" na praia
como um mar qualquer
descansando do banho?

(Vinícius de Moraes)

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Beijinhos

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Terça Literária: Recomeçar

A primeira “Terça Literária” do ano, não poderia deixar de ser um texto sobre renovação, recomeço, faxina na alma... Pode ser um clichê, ou mesmo um pouco repetitivo para alguns, mas sempre é bom ler textos que nos inspirem nesse recomeço de ciclo.

Tenham um 2015 repleto de sucesso, novos aprendizados e experiências encantadoras! Luz, saúde, paz e muito amor!

Recomeçar – Paulo Roberto Gaefke

“Não importa onde você parou,
em que momento da vida você cansou,
o que importa é que sempre é possível
e necessário "Recomeçar".

Recomeçar é dar uma nova
chance a si mesmo.
É renovar as esperanças na vida
e o mais importante:
acreditar em você de novo.

Sofreu muito nesse período?
Foi aprendizado.

Chorou muito?
Foi limpeza da alma.

Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia.

Sentiu-se só por diversas vezes?
É por que fechaste a porta até para os outros.

Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da tua melhora.

Pois é!
Agora é hora de iniciar,
de pensar na luz,
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.

Que tal um novo emprego?
Uma nova profissão?
Um corte de cabelo arrojado, diferente?
Um novo curso,
ou aquele velho desejo de aprender a pintar,
desenhar,
dominar o computador,
ou qualquer outra coisa?

Olha quanto desafio.
Quanta coisa nova nesse mundão
de meu Deus te esperando.

Tá se sentindo sozinho?
Besteira!
Tem tanta gente que você afastou
com o seu "período de isolamento",
tem tanta gente esperando apenas um
sorriso teu para "chegar" perto de você.

Quando nos trancamos na tristeza nem
nós mesmos nos suportamos.
Ficamos horríveis.
O mau humor vai comendo nosso fígado,
até a boca ficar amarga.

Recomeçar!
Hoje é um bom dia para começar
novos desafios.

Onde você quer chegar?
Ir alto.
Sonhe alto,
queira o melhor do melhor,
queira coisas boas para a vida.
pensamentos assim trazem para nós
aquilo que desejamos.

Se pensarmos pequeno,
coisas pequenas teremos.

Já se desejarmos fortemente o melhor
e principalmente lutarmos pelo melhor,
o melhor vai se instalar na nossa vida.

E é hoje o dia da Faxina Mental.

Joga fora tudo que te prende ao passado,
ao mundinho de coisas tristes,
fotos,
peças de roupa,
papel de bala,
ingressos de cinema,
bilhetes de viagens,
e toda aquela tranqueira que guardamos
quando nos julgamos apaixonados.
Jogue tudo fora.
Mas, principalmente,
esvazie seu coração.
Fique pronto para a vida,
para um novo amor.

Lembre-se somos apaixonáveis,
somos sempre capazes de amar
muitas e muitas vezes.
Afinal de contas,
nós somos o "Amor".

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Beijinhos

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Terça Literária: Sentidos


Sentidos - Carolina Salcides

O meio termo já não me satisfaz.
Nem pessoas máximas vazias
Nem as ínfimas cheias de mais.
Se por isso me sentencias
Se não me compreendes mais
Digo-te novamente:
É a essência que busco!
Um coração cheio de gente
E não gente cheia de razão.
Quero a carne o osso, a alma
Quero tudo intensamente.
Quero dessa louca vida calma
Desde o fruto
Até a semente!

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Beijinhos